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Eu já ouço o burburinho dos leitores, de que ainda não terminei as narrativas da minha viagem do ano passado ao Japão, nem terminei várias coisinhas dentro e fora do blog, e vou começar mais uma série de textos?
É. Antes começar e não terminar do que ficar ensaiando a vida toda. Não é um ideal, mas é mais que o contrário disso^^"

Os planos eram para eu ir para o Japão de novo - gostei da experiência + dez dias foram muito pouco tempo - já estava com dinheiro juntado, ajustei as férias para coincidir novamente com a Golden Week, estava a ponto pra entrar na novela do visto pela seguda vez na vida e... aconteceu um fato triste com meu amigo lá e ele pediu para que eu não fosse...
...extremanente justificável, mas um tanto frustrante, depois de tanta expectativa e tal. Meio egoísta de dizer isso, eu sei, mas são férias, né?^^

Aí numa conversa com amiga, apareceu um plano B: ela e o marido tinham mudado para Berlim alguns meses atrás, até era uma idéia visita-los na volta do Japão (sei lá as possibilidades reais disso XD) e ir para Berlim, fazer de lá uma "base" e visitar outros cantos da Alemanha e talvez da Europa tornou-se meu destino de férias.



Como para entrar na Europa não precisa de visto, eliminei toda uma burocracia, e como ficaria na casa de meus amigos, me livrei de vários gastos de hotel XD Assim que foi possível para meu imobilismo deixar, comprei as passagens mais baratas de ida e volta, com uma janela legal de tempo, e consultando a minha amiga se os dias estavam bons para eles, se não os atrapalhavam ou qualquer coisa do gênero.

Problemas resolvidos :D Tenho férias \o/ e... descobri dois problemas logo depois:

1) a empresa aérea dos vôos, a Ibéria, anda em crise econômica, e vários vôos estavam sendo cancelados, paralizações, essas coisas legais assim.
2) meu vôo muito barato até demais passava por Madri, Espanha. E a regra é clara: o primeiro país que eu piso diz se serei ou não admitido na União Européia. E a Espanha anda com fama de dar problemas à brasileiros, volta e meia apareciam casos na televisão sobre...

Ano passado foi terremoto, agora isso, por quê minhas férias andam com um péssimo gosto para ficarem emocionantes?



Bão, só me restava esperar, ficar de olhos nas notícias e nos motivos para me barrarem. Na internet, achei várias matérias sobre o assunto, e nesses casos, até os depoimentos no Orkut e Yahoo! Answers são de alguma utilidade. No caso, eu tinha passaporte, dinheiro o suficiente pros dias que eu ficaria lá, fiz seguro de saúde numa agência de turismo (mais barato do que eu imaginava) e minha amiga mandou uma carta convite... que não chegava .-. Ela tinha escaneado e me mandado por e-mail, eu imprimi e deixei uma cóia na iTábua, mas seria suficiente pro mau-humor espanhol?

Europa 2012
Mushi na Europa - antes de tudo (I)
Japão 2011
sRViajo ou não viajo pro Japão?Prova do crimePreparação de viagemMushi de ponta cabeça - parte zeroMushi de ponta cabeça - parte umMushi de ponta cabeça - parte doisMushi de ponta cabeça - parte trêsMushi de ponta cabeça - parte quatroMushi de ponta cabeça - parte cincoMushi de ponta cabeça - parte cinco e meioSobre namorar japonesas no Japão...

Como comentei uma vez sobre a Fantasticon, costumo ir para eventos mais pelas pessoas que pelo evento em si. O resultado final pode até acabar em textos fracos para o blog, mas me divirto mais na hora... X)


Para quem não sabe, é minha segunda ida à Feira Internacional de Quadrinhos e para quem não sabe, o evento é bienal e para quem não sabe também, acontece em Belo Horizonte, portanto, a capital mineira em 2011 ganhou o título de "segunda capital que o mushi mais visitou", empatado com Londres, que foi a paradinha pro banheiro obrigatória na ida e vinda de Tóquio.

Enfim, pra variar não planejei nada até ser tarde demais: comprei passagens e reservei hotel faltando dias para o evento e paguei pelo pecado da preguiça já na ida - sexta-feira véspera de feriadão havia uma multidão de tamanho indizível que atrasou hora e meia meu ônibus que sairia 23:45. E pior, não tinha onde comer por que os estabelecimentos fecharam ou tinham filas imensas que só pioravam o espaço entre as plataformas.


Um aviso encontrado numa das lojas do evento que também vale para passagens e reservas de hotel...

Contratempos a parte, entrando no ônibus, tudo aconteceu conforme o planejado: caí no sono assim que coloquei a cabeça no vidro, dormi pessimamente e saí da rodoviária de Beagá com uma horrenda porém previsível cara de amassado. Dei uma disfarçadinha, fui para o hotel, me perdi no caminho (nunca, nunca tentem contornar a Avenida do Contorno, vão por mim), me achei, tive chá de cadeira na recepção e já dentro do quarto, capoteizzzzzzzszendo acordado quase meio dia por um torpedo da @anacarolinars

Poisé, eu fui lá pra dormir ou pra conversar? ;)


Em um mural livre para os visitantes desenharem, fiz retrato meu, da @anacarolinars, @Marycmuller e @jimanotsu

Enfim, o que vi lá? Muita, mais muita gente (isso é, em alguns momentos tava tão cheio quanto no Tietê sexta à noite...) e vários conhecidos de Sampa (como previsto), entre eles a @cristinaeiko (autora de Trekkies e outras HQs do mushicomics), que lançou um álbum na FIQ e é MAIS UMA A NÃO ME FALAR NADA ¬¬* e uma famosa desenhista que me cobrou mais receitas no blog, já que a mãe dela estava copiando as receitas do caderno de minha mãe XD.


Paulo Crumbim e Cristina Eiko autografando o "Quadrinhos A2" (grrrr...)

Também encontrei amigos do povo de literatura fantástica, como o Estevão Ribeiro, a sua temível esposa Ana Cris, as fofas da Ana Carol e a Adriana Strix (outra autora do mushicomics (Bram e Vlad) e de um livro inédito que editoras nacionais estão moscando em não publicar), o casal Mary (neomineira, imigrante das terras do sul) e Jim (outro com cara de alemão vindo das terras do sul)(← esse povo todo tem livros e contos publicados, favor pesquisem seus perfis, comprem todos os livros, leiam e divulgem).

Também conheci gente nova, brevemente, as @marianasgf e @TaylaOlandim ^^


@strixvanallen mostra sua simpatia, sua lendária touquinha, Bram & Vlad na camiseta e seu selo de aprovação X)

Das atrações internacionais, não peguei autógrafo de ninguém já que acabei levando revista alguma e tive preguiça de pegar as filas também tive dó deles: toda a mesa de autores nacionais já tinha ido embora e o Bill Sienkiewicz ainda tinha uma fila imensa de gente esperando autógrafos (afinal, por que ele sumiu do mercado? Praga do Alan Moore?) e a Jill Thompson também tinha seu séquito infinito, fazia desenhinhos para cada um deles e ainda teve de assistir o excesso de emoção de um escritor nacional muito fã dela. Queria muito ter visto essa cena.


Bill Sienkiewicz autografando para a @TaylaOlandim e a pequena fila de espera...


Jill Thompson (á direita) também tinha ma fila considerável...


...e fazia praticamente um desenho no seu traço fofo por pessoa^^ Muito legal quando autores tem esse feedback aos fãs em vez de fazerem cara de limão chupado como já vi.


Heresia com o nome do Bill 5e20 u_u


Fora isso, vários lançamentos legais que não comprei por contenção de despesas, muitas exposições com artes originais e raridades, as tradicionais filas das comic shops e farta distribuição do fanzine mushicomics à conhecidos que ainda não tinham e à quadrinhistas (minha cara de pau me permitiu entregar um pro Carlos Ruas, pro Moon e Bá e certa hora vi uma rodinha de brasileiros, reconheci pelos crachás que eram brasileiros que desenhavam pro exterior, como o Ivan Reis e saí distribuindo fanzines pra geral - se um deles vier a conhecer o site e gostar, vai ser lucro ^^).


na FIQ tinha espaço até para o livro mais anti-quadrinhos já feito

Também aprendi a usar o metrô de lá, fácil, já que tem uma linha só :P Infelizmente tive de voltar já domingo à tarde =/ E descobri que o aeroporto de Confins merece o nome...


Veredicto: viagem bate e volta, onde não vi tudo no evento (sei que haviam coreanos em algum lugar, só vi desenhos) e encontrei quase todo mundo que achei que estava por lá. E 2011 está quase fechando, mas é o ano em que mais voei de avião (4 vôos na ida e volta pro outro lado do mundo mais BH-SP) e em que mais hotéis fiquei (Tóquio, Osaka, São Paulo (sim, dormi em hotel na Fantasticon) e BH) :P

Espero superar ao menos esse número mais e mais vezes ^^



Um Ash/Pikachu, meus personagens e eu (com cara de Spock do universo espelho...) no traço da @strixvanallen - vejam a arte em qualidade melhor aqui!


E eu e só eu, segundo a @Marycmuller

A vantagem de ter estourado o pé tantas vezes é ter conseguido o contato de taxistas nas idas e voltas para consultas, trocas de gesso e fisioterapia. Assim, pegamos um da lista e fui pra Guarulhos.

(se já estava gastando horrores desde que inventei essa história, não ia pegar um mercede com motorista e cobrador pra chegar lá, né?)(fora que é um aeroporto tão fora de mão que quase se necessita de avião para chegar...)

(comentaram no outro texto que uso muitos parênteses) (isso é verdade) ()

Cheguei lá trocentas horas antes, como recomendado, passei pelo check in (para certificarem quantas malas o mala aqui tava levando), depois pela fila de checagem do passaporte (que está em reformas para ampliação e onde ouvi pérolas tipo "que vergonha, parece uma Venezuela" e "mas viu que vai melhorar, vão privatizar!". Eu tinha entrado numa filial do PiG e não sabia!! =_=)
Depois passamos por mais uma fila, da segurança, onde tenho de colocar bagagem e tudo de metal na esteira pra ser checado pelo raios-x (não sabia que os computadores tem de ser colocados numa bandeija a parte) e eu passei por um detector de metal. Se alguém me lembrar que uma modalidade disso tem no meu trabalho, leva ¬¬'. To de férias!


Pobre que é pobre tem de tirar foto de avião quando embarca o/

Esqueci de comentar no post anterior: quando eu comprei as passagens em fins de janeiro, eu sairia do Brasil 27 à tarde, chegaria em Londres dia 28 depois do sol raiar, ficaria uma horinha lá e chegaria em Tóquio antes das 5 da matina do dia 29, no aeroporto de Haneda. Na volta, eu sairia dia 8 pouco depois do sol nascer, chegaria na manhã de Londres (fusos horários e a mágica de transformar um vôo de 10 horas em três), ficaria ONZE horas na cidade e chegaria dia 9 de madrugada em Sampa.

Quer dizer, dava mais que tempo para dar um pulinho na terra da Rainha na volta, né? Animado, contatei a @menciclopedia para conhecer a cidade na parada de volta pro Brasil.

Só que... fim de março, a British Airways decidiu mudar algumas coisinhas: na ida, em vez de ir pra Tóquio direto, eu daria antes uma paradinha de uma hora em Seul. Imagino que houvera muitos cancelamentos por causa do terremoto e colocar mais uns perdidos em terras sul-coreanas no bonde ajudaria a diminuir o preju. E também seria a única vez que eu colocaria os pés na Eurásia, já que tanto a terra do Imperador quanto a da Rainha são um punhado de ilhas.
Mas nem dez dias depois, mudaram de idéia e minha passagem na terra da Pucca foi cancelada. E mais dez dias depois mudaram tudo novamente outra vez: na ida eu ficaria SEIS horas em vez de uma em Londres e chegaria em Tóquio no aeroporto de Narita, mas dessa vez em um horário de gente, depois das nove da manhã. Mas na volta é que houveram mais estragos nos meus planos: o aeroporto também trocou pra Narita, sairia quase onze da matina de lá, chegaria as três da tarde em londres, ficando lá CINCO horas em vez do montão de horas que eu tinha antes :/ Considerando tempo gasto na burocracia para sair do aeroporto, no transporte de ida e volta para cidade e que eu tenho de estar poucas horas antes do vôo no aeroporto, os planos de passeio ficaram seriamente balançados. Vou te contar, a BA parece uma empresa aérea venezuelana, espero que privatizem logo* para melhorar.

Pra terminar, eu continuava chegando por aqui às cinco e tralalá da madrugada. Meh.


A primeira parte da ida foi tranquila: peguei corredor, conversei com brasileira que estava indo visitar Londres e a comida brincou de ir para meu colo. Descobri que tinha um mapinha no vôo que dizia onde estávamos (o trajeto foi ligeiramente diferente do que marquei no globo, óbvio) e fiquei brincando de checar altitude (11km!), posição e a temperatura lá fora (40 a 60 graus negativos...) quase todo o tempo em que fiquei acordado 8D


Chegando no chão, depois de várias voltas até autorizarem o avião pousar - já que tudo estava cheio por causa do casamento real - comecei a prestar atenção, qua a coisa é séria e eu não tinha mais a muleta da língua portuguesa: mushi, lê as instruções no avião, abre os ouvidos, segue placa, segue gente, sorria, não faça brincadeiras sem graça por que esse povo não é pago para rir delas. Mas até que me saí bem seguindo a manada: mostra passaporte, passo sem problemas, vai na maquininha de raios-x, tira computador, coloca na bandeija, tira mochila das costas, coloca na bandeija, coloca chaves e moedas na bandeija, passa por baixo do sensor.
- Passport, sir?
- Hm?
- Passport.
Ops. Deixei o passaporte em cima da mochila, que caminhava via esteira para debaixo dos raios-x.
Estiquei o braço apontando e fiz a minha melhor cara de "tá ali, foi mal".
- ...ah... ok... -_-'
Além da cidade, aposto que o saco dos funcionários do aeroporto também estava cheio com os turistas.






Falei que Heathrow é enorme e tem até um trenzinho levando os passageiros entre as seções? O saguão de espera é gigantesco, com trocentas lojas e preços inflados (em libras!). Depois de dar mil voltas, decidi trocar alguns dólares comprados em priscas eras pela moeda local e comer, já que eu teria um chá de cadeira imenso. Fiz um lanchinho básico, enrolei, andei, fiquei vendo a BBC falando de um assunto só nos telões, etc.


Comendo e twittando. E meu primeiro lanche internacional!
(falei que nessa terra eles colocam abacate em sanduíche? o.O)


Cueca com mapa do metrô londrino. Depois quem é brega mesmo?

Uma coisa que achei legal foi ver os funcionários de origem hindu e muçulmana com o traje do aeroporto modificado para suas crenças: quando fui pegar o avião para o Japão, quem nos levou até o aeroplano foi um senhor hindu de uns cinquenta anos, de turbante e barba branca bem arqueada ouvindo música da terrinha no ônibus :D


Como suspeitei, o vôo para o Japão foi quase vazio (praticamente ninguém nas poltronas do meio), tanto que fomos levados de onibusinho para ele. Do meu lado, só um japonês e muito sono na cabeça, já que viraríamos a noite no ar.

(Claro que ninguém consegue dormir as 10 horas inteiras de cada etapa e fiquei tirando fotos da janelinha e checando o tal mapa: curiosamente, cruzamos a Dinamarca, mas houve um desvio para não passar por sobre a China)

Antes de chegarmos em terra, a tripulação nos torturou com o horrível café inglês de bordo (agora sei por que preferem chá) e com o igualmente ruim café da manhã inglês de bordo (horrível e gorduroso... salsicha defumada, um omelete alien e cogumelos, coé??), e também distribuiram o formulário da alfândega japonesa mais a ficha de desembarque para preenchermos**.

Quer fazer amigos estrangeiros? Leve caneta e aguarde o momento para sair emprestando. Fica a dica X)


Enfim, Japão. Cruzei o país de oeste a leste...


...o que me permitiu ver neve pela primeira vez na vida, mesmo que a onze mil metros de altura XD Eu poderia ter visto na Sibéria, mas era noite e eu estava dormindo de qualquer forma :P

Pousamos. Sabe a ficha de desembarque? Ela tem interessantes questões no estilo "sim ou não": "Você já foi deportado do Japão ou teve entrada negada anteriormente?", "foi considerado culpado em processo criminal no Japão ou em outro país?", "você está carregando narcóticos, maconha, ópio, estimulantes ou outras dorgas, espadas, explosivos etc?"... fiquei pensando quem é que seria bobo de colocar "sim" em qualquer uma pergunta dessas, até que na primeira fila pra checagem de visto, vi um casal de franceses (ou belgas) perdidos que estavam quase colocando um X em todos os quadradinhos com "はい/yes" o.o' Ajudei os dois a preencher corretamente, a pedido de funcionária japonesa (desesperadamente educada com tanta gente para só ela administrar). Tem enganos que são legais acontecer apenas em filmes X)


Acredito que isto seja sério, né?

Minha vez de ser atendido. Funcionária japonesa. Meu conhecimento de nihongo está tão íntegro quanto a usina de Fukushima. O meu de inglês parece Three Mile Island. Ela faz perguntas numa língua, depois na outra com sotaque. Ela quer saber quanto tempo vou ficar, quando vou embora, etc, estas coisas. Pego papel e caneta, meu inglês escrito é MUITO melhor que o meu falado (mas minha caligrafia... -_-') Tento me explicar, começo a sacar papeis e papeis de reserva de vôos, hotel etc da bagagem. Ela me libera com cara de quem diz "vaza"! XD


Nota rápida sobre os dois idiomas: japonês é uma língua extremamente silábica com verbo no fim da frase e relativamente poucos sons; inglês é uma coleção de onomatopéias e grunhidos com verbo no meio.
Então, imagine as dificuldades de um falante de uma língua tão certinha tentando falar naquele espasmo vocal que é nossa língua franca: daí que japoneses tendem a serem péssimos falantes de inglês! O único ponto de concordância é que em ambas as línguas você escreve de um jeito e fala de outro...


Vazei e fui para o moço do raio-x. Mais perguntas, mais caneta e papel e mais uma vez fui dispensado logo. Acho que aprendi uma técnica ninja.

Por fim, peguei a mala que já me esperava nas esteiras e saí, onde meu amigo esperava o mala que chegava do Brasil :)

Japão 2011
sRViajo ou não viajo pro Japão?Prova do crimePreparação de viagemMushi de ponta cabeça - parte zero

Notas:
* a British Airways é uma empresa privada desde 1987
** quem quiser ver os bichos documentos a serem preenchidos antes de entrar no Japão, aqui estão eles em detalhe: alfândega frente, alfândega verso, desembarque frente, desembarque verso.

Antes de tudo: como tenho amigos estrangeiros, o blog vai ser kinda bilíngue daqui pra frente, dependendo do meu humor e preguiça (por exemplo, esse post é grande, então não vou traduzir :P). Como é público e notório, meu inglês é R•U•I•M, aceito correções, mas não levem essa tarefa muito a sério, ok? :P

Fim do ano passado, surtei de pedir passaporte: fiz e paguei a requisição no site da Polícia Federal, algumas semanas depois fui em um posto entregar a documentação, recolher as digitais, etc. Em duas semanas o teria em mãos :D Aí, entre uma data e outra, torci o pé e do dia de ir buscar, decidi ir mancando mesmo, debaixo de chuva (isso é, tava caindo um dilúvio aquele dia e a besta aqui impossibilitada de correr, mas teimando em não levar guarda-chuva) pegar o dito cujo.
Mas, só depois de semanas de ter tirado, decidi o que fazer com ele...


Bom, um dos meus critérios pra viajar é ter gente para conhecer do lado de lá. Foi assim quando fui pra Recife e pra Brasília, foi assim quando fui pra FIQ em Belo Horizonte e também nas inúmeras vezes que visitei o Carioquistão. Tenho amigos nos EUA, mas por motivos técnicos resolvidos só recentemente, eu estava impossibilitado de vê-los (#lalala). Mas no Japão tenho um amigo de colégio morando lá desde o século passado, e um punhado de anos atrás ele deu as caras por aqui a serviço, por que não ir lá?

("por que não?" é a pergunta que mais me fez fazer coisas esquisitas de que não me arrependo ^^)

Conversei com ele, beleza. Meus plano de mushi envolviam eu ficar na casa dele e economizar uma fortuna em hotel =P Mas isso furou por que a mãe dele não estava bem (e deu alguns sustos na gente no começo do ano) e estava morando com ele, pçortanto eu não caberia lá. Ok, vamos ao plano B: hotel. E comprar passagens, comofas/
Aí, comentei meus planos de viagem para a @Apocrypha, que falou que amiga dela trabalhava numa agência de viagens, e me passou o contato :) Sei lá, eu tinha receio de agência de viagens, o Adilson tinha até me indicado algumas usadas pela colônia aqui - mas eu imaginava burocracia, engessamento de roteiros, além da minha fobia crônica em entrar em lojas e perguntar =_= - mas no fim das contas foi o melhor que fiz: eu não tenho tempo e skill para organizar todos os detalhes da viagem, eles tem. Mesmo pagando um tanto a mais (e acho que paguei a menos, agências costumam ter descontos em passagens e tal por fazerem compras grandes), o que eu economizei em aspirinas e tempo é priceless X)


Ok, contatei a Patrícia e por trocentos emails com ela (e com alguns repassados para o Adilson), fomos acertando os detalhes: ficaria 10 dias lá, sem um roteiro fixo para seguir - meu plano sempre foi ter uma "base" em Tóquio e de lá decidir pronde ir. Como o consulado japonês EXIGE que você já tenha pago avião e hotel para depois pedir o visto, a aventura já começa dando as primeiras facadas épicas no orçamento XD
Também consegui marcar as minhas férias para o fim de abril, concidindo minha chegada no Japão com a Golden Week, uma série de feriados emendados lá, praticamente uma "semana do saco cheio" nacional x) Isso daria alguma liberdade para meu amigo me ajudar por lá, mas também seria outro motivo para eu reservar hotél o mais rápido possível.

Como meu RG decidiu estragar, decidi tirar um novo antes de mandar a documentação pro visto, e depois enviei tudo (original e xerox de trocentas coisas) pelo correio. Aí, soube que, por orientação do despachante da agência de viagens, eles aguardariam algumas semanas para fazer a solicitação: como o visto japonês tem validade de só três meses, era melhor pedir um pouco mais em cima da hora para ele não vencer antes mesmo de eu começar a viagem o.o'

Nesse meio tempo, também decidi desenferrujar meu conhecimento tênue de nihongo pelo Livemocha - eu pegaria mais firme nos estudos em abril - e também decidi que ficaria quieto sobre meus planos de viagem no twitter e blog, seria legal fazer uma surpresa para todos né? "oi, adivinhem onde eu tô agora? XD"


Então que a natureza decidiu me trollar e tornar minhas férias épicas antes mesmo de embarcar: no níver de um ano de Milla, houve o terremoto no Japão e todo mundo sabe dessa história. E aí, viajo ou não? E radiação? Como estão as coisas lá? Amiga japonesa me fala que NÃO DEVO viajar. Outro me fala que ela é assustada e que Tóquio está tudo relativamente ok, tirando o racionamento de energia ("a crise no Japão vai ser em agosto, com o verão de trinta graus e os ar-condicionados desligados..."). Cada novo tremor e notícia de Fukushima vinha gente da família e do msn me recomendando que talvez não fosse boa idéia eu ir pra lá, ainda mais quando declararam nível sete pro desastre nuclear.

Como o maior inimigo do medo é a informação, passei esse mês e tanto lendo o que podia sobre o desastre (CNN (mais histérica), BBC (um tanto menos histérica) e Al Jazeera (que ganhou créditos comigo ao fazer uma boa cobertura na ocupação do Complexo do Alemão) eram visitados diariamente) e sobre radiação em si (o texto das bananas que traduzi foi um dos melhores achados contra a histeria da imprensa), acho que eu tinha alguma tranquilidade.
Até por que evitei ver os telejornais daqui, afinal, televisão não é exatamente um instrumento de precisão jornalística, e sim de entretenimento em massa.


(meus 2 centavos sobre o "nível 7": não significou que a situação no Japão tinha piorado ainda mais aquele dia, mas que estavam assumindo que o desastre era tão ruim quando parecia ser. Foi uma alteração de nomenclatura com fins de Política, uma arte em que as palavras tem mais poder que na vida real: como o bicho agora tinha um nome mais feio que "nível 5", fica mais aparente pros burocratas o tamanho da caca para eles fazerem o que deve ser feito...)


Contador Geiger a venda em Akihabara por cerca de R$2700. Foi o único anúncio desse tipo que vi.

Enfim, quase desisti, mas decidi teimar e as pessoas começaram a falar menos para eu não ir a medida que o assunto esfriou no noticiário x)


Nesse meio tempo, os papeis foram enviados para o consulado: reservas, extratos bancários de meses, holerites, declarações de imposto, carteira de trabalho (tenho mais tempo de banco do que eu gostaria, isso deve contar pontos a favor), comprovante de férias... tudo com cópias. Os documentos chegaram no consulado, os funcionários olharam para eles e me negaram o visto por falta de renda.

Wat?! o.o'

Pois é. Os papéis nem esquentaram a mesa e foram rejeitados ¬¬ Me sugeriram juntar rendimentos dos meus pais e uma declaração deles com firma reconhecida em cartório de que eles estavam custeando minha viagem.

Wat²?! o.o

Powxa, já passei da idade de meus pais me custearem, pior, eu mesmo que tava bancando tudo, as transferências estavam evidentes nos extratos XD Isso não colaria e eu teria um prejuízo do tamanho do Kraken...

Mas. Colou. !. =_=

(tenho lá umas teorias, mas não coloco aqui em público. Mas até entendo que o governo japonês é cismado com brasileiros dizendo serem turistas e se perdendo na multidão de ilegais, mas por outro lado, eu nunca passaria despercebido no país, tampouco me misturaria com a população XD E, desde a crise de 2008, muita gente decidiu abandonar lá e voltar para cá. Conheço caso de gente que casou com japonesa e deixou a esposa e filhos lá para ver se conseguia algo por aqui)


Enfim, eu tinha visto e todo o resto, só faltava agora os detalhes menores que deixei pro fim: ienes, roupas novas, preparar o site, bagagens, limpar kindle e Lapxuxa (fisicamente e de pirataria, nunca se sabe o que podem implicar com você na entrada de outro país)...


E então, contei que por causa das preocupações radioativas, acabei não estudando japonês? XD


Japão 2011
sRViajo ou não viajo pro Japão?Prova do crimePreparação de viagem


O Japan Rail Pass é bem interessante para quem for pra lá. Já os dois guias turísticos somados sairam juntos mais barato (uns 70 reais vs quase 90 contos) que a edição nacional do guia do Japão, ao menos na Livraria Cultura daqui.



Bolsa aberta, ela e os outros tentaram entrar na bagagem vez ou outra. Pura xeretice. Como dá para ver na foto, vou exportar pelo de gato no lado de fora da mala...




Trajeto. 24 horinhas voando. Minha bundeenya ficará quadradeenya =_='



Espero que nenhum burocrata sanitário me encha o saco por causa dessas lembranças de Milla ¬¬'


Então. Passagem comprada, hotel reservado, visto aprovado, Fukushima bombando e Murphy me ama.

Tenho até o fim do mês para decidir: fico ou vou?

...mas depois falo disso. =p

Chegamos 5 da manhã, achei que o ônibus chegaria às 7. To babando de sono, vai entender: na viagem de ida, o ônibus era um lixo e dormi otimamente, minha mãe não. Na volta, o ônibus era chique no úrtimo e ela capotou e eu necas de pegar no sono, mesmo com duas cadeiras só para mim. 9_9 <-- zumbi

...21:30 saio para viajar, vou visitar meu avô doente aqui alguns dias e volto 4ª cedo. Amen ^^

mushirio08.jpgSem detalhes, aqui não é Contigo.

Sexta: Rodoviária, Centro, Copacabana, Niterói... meu primeiro passeio de barca!! E acho que finalmente andei por todos os meios de transportes fluminenses: teleférico do Pão de Açúcar, bonde que passa nos Arcos da Lapa, trenzinho que sobe até o Cristo Redentor, barca para Niterói, barco para a Ilha Fiscal, ônibus, metrô... err, ainda faltam dois meios de transportes exóticos - as peruas de lotação (chamadas de "van" por lá, deve ser por causa do Van Dame, o Rio tem muito marombado) e trem.

Sábado: Centro, visitar o Batman e Lagoa Rodrigo de Freitas. O plano original era passar na cidade imperial de Petrópolis, mas a preguiça imperou.
Divertido é pegar quase 1kg de comida no almoço e comer na metade do tempo de Denise, que pegou nem 500g... Eu sou uma draga de comida.

Domingo: Morgação e depois rodoviária. Como sempre tem um ônibus saindo de lá para vir para cá, não tinha comprado a passagem com antecedência... só não tinha contado que todos os ônibus estavam cheios por causa do feriado ^^"" Com alguma sorte achei um ônibus (Expresso Brasileiro) com vaga e ar condicionado (e lanchinho, travesseiro e coberta, coisas que a Itapemirin me deveu na ida...) que saía em pouco tempo. Mas a viagem de seis horas durou mais de sete =_=

Considerando que minha bagagem tinha palm, câmera digital, lapxuxa e muitos gibis (Bone, que li na ida e na volta. Recomendo!), decidi vir de taxi do metrô Carrão até em casa. Só :P

batrio.jpg

Vou dar um resumo telegráfico no que aconteceu, se eu esticar demais o texto, vou acabar parando no meio -_-?


Há uns cinco anos meu avô começou a agir de forma estranha: achava que tinha dinheiro, queria comprar carros, fazer empréstimos?


Foi diagnosticado Mal de Alzhemeier e a situção foi piorando ano a ano: com o tempo ele foi esquecendo quem eram os parentes, perdendo locomoção, não se cuidava mais? de uns dois anos para cá minhas tias contrataram empregadas para cuidar dos meus avós (apesar da resistência da minha vó), meu pai visitava eles a cada dois ou três meses, e meu avô foi definhando devagarzinho?



Sexta passada recebemos a notícia de que ele tinha tido uma convulsão e entrado em coma. De Colorado ele foi levado para Londrina, lá o coma reverteu, mas teve pneumonia, outras complicações e acabou não resistindo, falecendo na sexta dia 29 por volta da 2 da tarde.


Recebemos a notícia quase três e meia, e como minha irmã não dava certeza se ia (meu cunhado trabalha o dia todo às vezes, estava muito cansado para dirigir e ela não iria sem ele), estavamos combinando que eu iria de ônibus e meus pais com meu irmão e cunhada no carro deles. Meu sobrinho ficaria, só iria cansar o moleque que não entenderia nada :|


Mais tarde minha irmã mudou de idéia e pos meu cunhado para dormir antes de sairmos. Meia-noite os carros saiam de São Paulo: eu com minha mãe no carro de minha irmã (na verdade, é de minha mãe?) e meu pai com meu irmão. Mas o carro do meu irmão estava estranho: dava para ver que uma lanterna traseira estava quebrada, depois ele notou que a palheta do para-brisas também estava quebrada, e na primeira chuva que pegamos, ele parou e descobriu que além disso tudo, a caixa de câmbio tinha quebrado e não tinha mais a 5ª marcha nem a ré. Eram mais de duas da manhã.


MUITO chateado, ele teve de desistir da viagem, esperar o guincho do seguro e meu pai foi se espremer no carro onde eu estava.


Se minha irmã não tivesse mudado de idéia, só eu teria chegado a tempo para o enterro, de ônibus.

Chegamos lá depois das nove, com várias paradas no caminho para meu cunhado descansar, trocas de motorista (ele com minha irmã). O corpo do meu avô estava bem cuidado (ouvi ?o vô está bonito, né??). Houve tristeza, houve choro, mas houve alívio por ele estar finalmente descansando, e não foi uma morte surpresa, todos estavamos esperando isso há anos. Muita gente foi visitar o corpo, até meus avós do lado materno (que moram a duas horas dali) e o enterro foi às 16 horas. Ajudei a carregar o caixão.


Enterros são estranhos: reencontramos parentes e amigos que não víamos há anos, especialmente meus pais que foram criados naquela cidade e casaram lá.


Dormimos na casa de minha avó, que até que está forte, e partimos de lá hoje cedo. Meu pai ficou mais algumas horas e pegou ônibus de volta para São Paulo no começo da noite.

Há lições a serem aprendidas? Não sei. Fica a lembrança do meu avô, que era uma boa pessoa. Tive sorte de tê-lo conhecido, apesar de eu não ter sido chegado à ele, nem à ninguém.


E fica a esperança que a tensão que percorria esse ramo da família, e chegava até aqui, finalmente cesse, abrande, ou dê espaço a coisas melhores.

selos
Recebi algumas corresponências de fora do Brasil (EUA, Austrália, Filipinas, Inglaterra) e acabei guardando os selos por causa da minha mania de jogar nada fora. Alguém aqui quer eles, de graça?

viagem
Esse fim de semana vou pra Colorado/PR, visitar meus avós paternos e a miríade de tios e primos da ala Pereira da minha família (a ala Souza mora em Figueira, no mesmo estado). Assim, de hoje a noite até a manhã de Páscoa, não estranhem meu sumiço. Nem os templates especiais da Semana Santa.
E agradeceria muito se os spammers não bombardearem a geladeira e os blogs relacionados.

coisas a venda
Andei colocando algumas revistas americanas na lista de coisas a venda (troca, finacio, faço rolo...) e estou começando a pegar nos meus gibis de super-heróis da abril. Eu realmente preciso de mais espaço no meu quarto ^^

Timão
Ganhei da vó da minha "esposa" (ou da mãe da minha "sogrona" ^^ - esse fim de semana foi ótimo!) uma camiseta do meu time. Agora o meu cunhado não larga do meu pé pedindo a dita cuja XD

Vou viajar a noite, e volto só domingo: para Colorado/PR, terra onde minha irmã mais nova nasceu, onde meus pais cresceram, se conheceram e decidiram se casar :P (povo que casa cedo...^^)

Assim, se ninguém sentir minha onipresença no ICQ/MSN por estes dias, pode ficar sossegado que NÃO MORRI ainda, só to viajando, e não, não tenho síndromes de abstinência de internet :PP

Mais um adendos: templates de hoje até a Páscoa vão ter algumas (ou muitas) modificações relativas ao dia. Espero que os não-cristãos não chiem comigo por lembrar do Domingo de Ramos, Quinta Feira Santa, Sexta da Paixão, Sábado de Aleluia e Domingo de Páscoa (não a Páscoa judaica :P)

Último adendo: dia 11 faço um ano de solteiro. :/ Acho que vou por um anúncio abrindo inscrições para namoradas, já que a Camilla sumiu da rede ontem sem me avisar XP.
E dia 12 minha irmã faz o primeiro ano de casada, e eles até que tão sobrevivendo bem.... ....exceto uns fins de semana atrás quando peguei os dois e uma amiga em comum falando de remédio. Isso é coisa de velho conversar :P A Ana é seis anos mais nova e já tá falando de remédio o.O Casar envelhece......

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