"Resenhas" rápidas: Magias e Barbaridades: Vida na Cidade; Don Drácula; Laputa

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Não se assustem, to tentando gerar assunto pra minha newsletter :P

Magias & Barbaridades volume 3: Vida na Cidade (de Fabio Ciccone): Vontadezinha de puxar a orelha do Fábio Ciccone tive quando fui na Comix e encontrei o terceiro volume com as coletâneas das tiras dele, depois de receber zero aviso pelo Twitter, nenhuma divulgação por e-mail, etc. Nem todo mundo tem facebook, que já não é aquele respeitável canal de divulgação de antigamente.
Nesse volume, o trio de personagens (Remmil ("um mago arrogante e incompetente"), Oc ("um bárbaro fã de Shakespeare") e Idana ("uma amazona renegada e um tanto atrapalhada")) procura resgatar o Bastão da Chuva, o que resulta em confusões, idéias malucas que darão certo nunca (mas dão!) e depois embarcam numa curta viagem metalinguística, mas bastante interessante - por sinal, vendo a foto na primeira orelha do livro, você se toca quem é a inspiração para o misterioso personagem que conduz esse arco :P

# Veredicto: uma série de tirinhas consistente e que diverte, li numa sentada só :) Aguardo o próximo volume!
# Bom: para quem acompanhava as tiras pela internet, tem páginas extras e, olhem só, coloridas!
# Mau: falta de divulgação e o hercúleo esforço em escolher cores secundárias para criar as capas. Falta algo nelas para faze-las interessantes.
72 páginas • R$21 • Clique aqui e adquira na loja da editora

Don Drácula (1979, mangá em 3 volumes) (de Osamu Tezuka): Mais um caso em que felizmente quebrei a cara: assim como Astronauta: Assimetria, eu não tava com muita expectativa ao pegar a série de mangás para ler, "assim que terminar, certeza que vou por para vender que nem o bonzinho Kobato".
Né?
Não.
Em primeiro lugar, é um trabalho de Osamu Tezuka, o cara que DEFINIU o gênero mangá. Existiam quadrinistas japoneses antes dele, sim, mas ninguém antes teve o impacto no meio que o chamado "deus do mangá". (notinha para as pessoas "normais": ele foi o autor dA Princesa e o Cavaleiro e o Menino Biônico)(eu disse "normais", não nascidos na segunda metade dos anos 80 em diante)
Em segundo lugar é um trabalho dele maduro, calejado, do autor mais ensinando do que aprendendo. Ok, é um trabalho menor em pretensão e quantidade de páginas, mas um trabalho não reduz quem o faz :P
Enfim: Don Drácula é um mangá de comédia/terror que conta as aventuras do famoso vampiro, que foi morar no Japão com sua filha adolescente Chocola (ou Sangria, na versão em anime que passou na Manchete) e o assistente Igor. Além de problemas comuns aos vampiros (ter de sugar sangue, medo do sol, cruzes, alho) e de pais de filhas adolescentes na escola noturna, ele tem de fugir do Professor Van Helsing (que tem hemorróidas, e elas sempre atacam o personagem na hora H) e às vezes lidar com outros entes sobrenaturais - e é aí que em alguns episódios o humor leve da série dá lugar à mortes, algumas horríveis, só amenizadas pelo traço "fofo" do autor, que não sente a necessidade de mostrar as tripas, mutilações e dezenas de corpos carbonizados (sim, acontece disso), que você sabe que estão lá.
E foi na facilidade em que muitas vezes o autor transita de um gênero para o outro sem quebrar o encanto que mantém o leitor preso ao texto que o mangá me cativou, além de ter algumas transições de cena e técnicas de passar informação ao leitor que me deixaram de queixo caído. Tipo: em vez de mostrar cena a cena o que acontece, Tezuka tira tudo o que não é essencial, coloca na história apenas o mínimo necessário e é hábil o suficiente para não ficar truncado - pelo contrário, fica no tamanho exato, as vezes a cena não é importante, só complicada, não tem de disputar atenção com o cerne da história.
(para quem tem o mangá: quando li volume 1, páginas 40-41-42, balbuciei "caralho, que manobra de roteiro arriscada!")
Por sinal, não há uma grande história a se seguir em Don Drácula: é um mangá de episódios soltos, sem cronologia, podendo ser lidas em qualquer ordem. Drácula às vezes é terrível com suas vítimas, exigente do tipo que só prefira moças bonitas e virgens (machista?), mas também é um pai coruja antiquado adorável. No fundo é uma boa pessoa que deu errado em algum canto da vida, senão não seria um vampiro x) Chocola é uma boa garota, estudiosa (ao contrário do genitor) e se preocupa com os amigos. Corre o risco de morrer de fome se continuar assim X)
Para quem quiser conhecer os personagens sem gastar dinheiro, vários episódios do desenho animado estão na internet, inclusive o lendário do Panda e Filhote de Tigre, que fez muita criança chorar^^

# Veredicto: muito bom (não ótimo) mangá, vai morar na minha estante mais tempo do que eu pensava :)
# Bom: bons personagens, uma aula de como fazer histórias curtas. A edição nacional tem excelente acabamento.
# Mau: fim precoce - apesar das virtudes, a série acabou abruptamente com apenas seis meses de publicação e tem vários episódios mais fraquinhos, escritas quase que no automático. Também me incomodou os... er... critérios do personagem para escolher suas vítimas (bonita, virgem, novinha, etc), mas isso reflete MUITO homem na vida real, só que o mangá nem de longe tenta criticar isso. Idem o tratamento dado à Blonda, que é gorda e "alivio cômico" da série =_=
230 páginas em média • R$26 cada volume (são 3) • Clique aqui e adquira na loja da editora

Duas notinhas:
1) sobre o Menino Biônico, procuro muito foto/scan de embalagem das pipoca-doce-de-embalagem-cor-de-rosa Panda, que vendiam em SP e tinha o personagem estampado.
2) o estúdio de animação de Tezuka era o Mushi Production. Quando adotei meu nick, nem sabia disso, feliz coincidência :D

Laputa/Castelo no Céu (1986) (de Hayao Miyazaki): Pra quem vive muito longe da bolha onde existo: Hayao Miyazaki é considerado o maior nome da animação japonesa vivo e seu estúdio, Ghibli, é sinônimo de qualidade em roteiro e técnica. (Um de seus trabalhos ganhou o Oscar (A Viagem de Chihiro) (não que o Oscar indique muita coisa, mas é uma referência pra maioria das pessoas :P))
Feita a apresentação, digo tem três dos trabalhos iniciais do Miyazaki no Gibli que são meu xodó: Tonari no Totoro ("quem não gosta de Totoro boa pessoa não é", é uma de minhas leis), Kiki's Delivery Service (preciso rever, é só ter tempo livre com dona namorada)(e sim, eu uso os nomes em inglês e japonês dos animes sem critério) e Laputa, que tem esse nome engraçado por causa das Viagens de Gulliver (preciso ler), onde ele encontra uma ilha voadora com esse nome. Pelo jeito Jonathan Swift sabia bem o que "la puta" quer dizer em espanhol (um escritor irlandês, ele fez da ilha uma crítica aos ingleses), mas para o mercado japonês significa nada, então o nome do anime - que vocês já devem ter percebido, também tem uma ilha voadora - ficou esse mesmo. Aqui no Brasil foi batizado de Castelo no Céu.
A trama é simples, mas bem executada: Pazu, um garoto que trabalha numa mina encontra Sheeta (outro bendito nome...), uma garota que caiu do céu, literalmente. Logo descobrem que 1) ela é procurada pelo exército e inteligência do país onde vivem 2) e que ela tem a chave para encontrar a lendária cidade voadora de Santo André da Borda do Campo Laputa, escondida dentro de um tufão, que guarda riquezas materiais e tecnológicas. A partir daí, temos um encadeamento de aventuras, culminando na dita cidade, com lições sobre cobiça das pessoas. Tudo isso temperado com um visual retrô + tecnologia inexistente para a época, o que hoje se chama steampunk: o anime se passa supostamente no fim do século XIX, com toda aquela carinha de Revolução Industrial (máquinas a vapor, minas de carvão), mas tem aviões e dirigíveis de uma forma que nunca existiram no mundo real, ainda mais naqueles anos.
Por sinal, essa estética é um pontos altos da animação para mim (tem até uma cena de briga que se parece muito com as primeiras animações da Disney), junto da trilha sonora. Os personagem devem um tanto em brilho (exceto, talvez Dola, a chefa dos piratas aéreos)(sim!, também tem piratas!!) e em profundidade - para o bem e para o mal, a maioria são caricatos ou arquetípicos (Por exemplo, Pazu não vai muito além do "garoto bonzinho sem medo com uma missão a cumprir e lições a aprender"). Mas isso é uma escolha consciente do roteiro, que optou em fazer uma história aventuresca onde os bons são bons, os maus são malvados mesmo e todos sabem que vão quebrar a cara no fim.

# Veredicto: é um anime "para garotos", para se ver sem pretensões, é divertido, faltam histórias assim.
# Bom: além da ambientação ser rica e com vontade de "queria saber mais sobre aquele mundo", a animação e trilha sonora são caprichadas.
# Mau: Sheeta, a mocinha, me irrita. Ela é muito "donzela em perigo", raramente toma atitudes, tem pouca força como pessoa, mesmo sendo uma jovem moça do bucólico interiorrrrrrr daquele país. (A figura feminina forte no enredo é uma pirata-mãe-dominadora que se deixassem, roubava a trama pra ela).
126 minutos •

Mais duas notinhas:
3) se o texto aparentou que eu não gosto do anime, desculpe, gosto sim, e muito :P Mas é comum eu apontar os defeitos e não ter competência em apontar o que curti^^""
4) por algum motivo, sempre imagino Geni e o Zepelin ocorrendo na cidade de mineiros (mineradores, não cultivadores de pão de queijo) à beira de um "abismo" como a apresentada nesse desenho ^^
5) a Livraria Cultura estava vendendo esse anime e outros do Ghibli em dois boxes, vale muito a pena correr atrás, mas... infelizmente um deles parece que já se esgotou :(


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1 Comentário

Adriana (Strix) em 06/02/17, às 01:23: Suas resenhas estão ficando cada vez mais profissas. :D (Reply)

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This page contains a single entry by mushi-san published on February 6, 2017 12:14 AM.

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